Executor, Pastor do Rebanho Perdido

cop recruit

Revivendo mais um conto que gostei muito de escrever: o Executor. Esse conto é a apresentação de um personagem que fiz para o cenário Ultimato, desenvolvido por colegas que jogam RPG nos mais variados cantos do Brasil. Trata-se de uma ambientação de super-heróis nacional, integrada à história brasileira, muito bacana. Apesar do clima super, tentei trazer um pouco mais de drama com este personagem.

Executor, Pastor do Rebanho Perdido

Estou cansado desses sujeitos. Perdoem-me, mas eu simplesmente não consigo mais conter o asco e a ira que eles me despertam. Pensam que são os mais espertos, que são os superiores, que podem simplesmente atropelar todos em seu caminho para ter uma vidinha boa de merda. Roubam, estupram e matam; tudo a seu bel-prazer.Admito, já há algum tempo eu consigo entendê-los. A podridão do mundo já me contamina – algo inevitável: quem mexe com esterco fede a esterco –, mas não me domina. Jamais me dominará. Acabarei com minha vida antes disso! Mas, voltando aos vermes, sua lógica é fácil de entender. O que pode impedi-los? A quem eles devem temer?Sim, temer. Os humanos só possuem duas formas de controle: medo e ética. A ética é uma velha agonizante em leito de morte, sendo seguida por uns parcos pobres sem expressão. Vermes? Nunca conheceram a ética, nenhum pingo de valores pessoais, de bondade, amor ou qualquer sentimento. Então, a quem temer? Deus? Como se alguém acreditasse nele. Ou temesse alguém que nunca deu as caras na Terra. Polícia? Nem as crianças confiam mais nesses homens. Super-mocinhos? Estão ocupados demais com seus super-brinquedos de bater, destruindo propriedades e de vez em quando salvando alguém… de um super-vilão. Que, muito provavelmente, eles ajudaram a criar e não terão coragem de mandar o maldito para o inferno.

Então, no que se transformaram os vermes? Deuses. Oniscientes, onipresentes e onipotentes. São idolatrados, venerados, obedecidos, respeitados, amados. Alguém que não vale o metro quadrado que ocupa. Alguém digno de ser enviado ao inferno. Mas quem o enviará? Quem sujará as mãos em tamanha imundície? É um caminho sem volta. E que também levará ao inferno.

“Aê, cara, pelo amor de Deus, cara! Eu nem te conheço, velho!” Sua voz trêmula estava embebida em sangue fresco, suor e lágrimas falsas de crocodilo. Dedos da mão direita quebrados, assim como o tornozelo direito e algumas costelas. Seu terno estava em ruínas, dois buracos de bala na coxa esquerda faziam o sangue jorrar e, misturado à porca urina que irrompia de suas virilhas, criava um caldo nojento que inundava o chão daquela sala de escritório.

Desperto de meu devaneio. Minha 45 Long Colt fumegava, seu ardor irradiava minha mão com firmeza. O maldito tenta sorrir aos prantos, buscando simpatia. Mas meu rosto não se move mais. Eu toquei a mente sórdida desse infeliz, reconheci e assisti a todos os seus pecados. Pude sentir cada momento de horror de suas vítimas, suas lágrimas, o sangue quente, puro e iluminado que jazia nas mãos daquele homem obsceno.

Meu julgamento é certo. Não há melhor testemunha que a alma do próprio criminoso. Puxo o gatilho: a cabeça do demônio explode. Bem no meio da testa, abrindo seu crânio e espalhando nacos de seu cérebro pela parede bem-acabada de seu límpido escritório. Ex-límpido escritório.

Agora os vermes têm a que temer. O pastor do rebanho perdido, o martelo que os envia ao inferno, a mão direita de Deus. Aquele que sacrificara a própria alma em prol da purificação do mundo. Eu sou o Executor.

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