iPhone 4: o review atrasado

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Hoje em dia tenho certeza que ninguém mais se interessa em um review do iPhone 4. Todos os sites de tecnologia que se prezem já tem todo tipo de opinião sobre o aparelho, dissecando todo seu software, hardware e experiência. Afinal de contas, já estamos à beira do lançamento da quinta geração do aparelho. Mesmo assim, acho que é bacana escrever as minhas experiências pessoais, tanto com esse gadget quanto com o cenário de smartphones dos últimos 10 ou 12 meses. Já deixo aqui um aviso: esse texto não é nada objetivo, parcial nem sucinto. Continuem por sua própria conta e risco.

Comecei a escrever este review e, pelo aviso acima, vocês perceberam que eu já sabia que ia ser extenso. Mas eu não cheguei nem na metade do que queria escrever e já estou achando que o post ficou longo demais. Então vou dividir esse relato em várias partes, todas sob a mesma tag Review iPhone 4.

Começando pelo (literalmente) começo

Acompanhei sem muito interesse o lançamento do iPhone 4, afinal nunca fui usuário dos produtos da Apple. O preço sempre me incomodou. Como já é de conhecimento popular: “dá pra fazer a mesma coisa com metade do preço”. Principalmente no Brasil.

Mesmo assim, ficava imaginando como seria o produto. Finalmente algo parecido com multitasking. Uma videochamada, capenga, mas já era um diferencial. A tela, então, tinha uma densidade de pixels que era inimaginável para mim. Enquanto isso, eu tinha o meu dumbphone e acompanhava com inveja a adoção do Android pelos amigos.

Foi aí que apareceu uma oportunidade de comprar um novo telefone com um preço subsidiado pela operadora. Meus olhos brilharam! Era a semana seguinte ao lançamento do iPhone 4 no Brasil, e toda aquela confusão de gente entrando em filas para comprar e recebendo senhas para esperar chegar a próxima remessa. Perguntei o preço de um Xperia X10, outros dois modelos de Android e de um iPhone, mas sem esperança de conseguir o aparelho.

Imaginem a surpresa ao saber que tinham o modelo de 16 GB disponível e mais: o preço cabia no orçamento!

Unboxing

Pulando de um blá-blá-blá para outro: a caixinha. É um detalhe talvez irrisório pra muita gente, mas eu já estava afetado pela “aura da Apple”. É uma embalagem minimalista e bem pensada, tenho guardada até hoje. Geek que sou, queria mais e mais acessórios, mas o iPhone vem com o mínimo necessário para seu uso. Pensei que isso fosse me incomodar, mas percebi que faz parte realmente da experiência do usuário. Principalmente para o usuário que está comprando pela primeira vez um smartphone.

Ligando o aparelho

Como uma criança ao inaugurar o brinquedo, logo liguei o telefone, sem nem mesmo inserir o cartão SIM. Entre uma brincadeira e outra com a tela de toque, bastante responsiva, tive uma decepção: para habilitá-lo totalmente eu precisava conectá-lo a um PC e instalar o iTunes nessa máquina. Essa é uma falha que o iOS estará corrigindo agora em sua versão 5.0, mas eu achei incrível como um aparelho tão bem polido em hardware e software era tão dependente do PC.

iOS 4 sem firulas

Assim que habilitei o gadget para o uso, logo comecei a fuçar a App Store ainda pelo iTunes no PC e coloquei vários apps grátis na fila para download. Enquanto minha astronômica banda larga baixava os apps de poucos megabytes com muito esforço, fui fuçar, agora para valer, o iPhone.

Fui abrindo vários dos apps básicos pré-instalados e verificando como era realmente manipular a interface de toque de um smartphone. Achei incrível. Os aparelhos de entrada que eu tinha testado na época eram lentos e tinham a mesma sensibilidade ao toque de um caixa de banco, ou seja, terrível. Hoje em dia admito que a realidade é bem diferente: o Android mais vendido no Brasil é o Samsung Galaxy 5, muito barato e competente. Sua fluidez no sistema básico não faz vergonha frente aos aparelhos mais parrudos. Mas há um ano a sensação não era essa.

Um dos motes preferidos dos fanboys da Apple é a performance. Existe a idéia de que os produtos da maçã são impecáveis e nunca travam ou ficam lentos. Admito: a primeira impressão é essa mesmo. Sabe aquela sensação que todo geek tem ao fazer uma instalação limpa de um sistema operacional em seu PC? Tudo é fluido, responsivo e rápido. Exatamente assim é a experiência geral do smartphone da Apple: fluido. Mas denuncio que existe um mito de que ele nunca trava: isso acontece. Não muito, mas acontece.

Essa estabilidade toda vem do controle total da Apple sobre o produto: o iOS só roda sobre o iPhone, com mais ou menos as mesmas peças de hardware. Os problemas que se tem ao tentar manter uma diversidade maior de aparelhos rodando o mesmo sistema não acontecem com frequência nos produtos da maçã. Fora isso, também posso indicar mais dois outros motivos que mantém a fluidez: todos os apps disponíveis para a plataforma são testados e aprovados pela Apple e as animações e detalhes do sistema são arquitetados para te trazer a sensação de fluidez.

Quem é usuário de Windows pode ter tido a mesma experiência que eu na transição do XP/Vista para o 7: apesar de ser um sistema mais novo, maior, era muito mais fluido. Os benchmarks mostram o contrário: apesar da otimização do Windows 7, em máquinas com menos de 4 GB de RAM ele era, sim, mais lento que o XP. A diferença toda era a sensação de fluidez. Sua máquina, na verdade, não é mais rápida: ela parece mais rápida. E isso o iPhone faz muito bem.

Vários benchmarks já mostraram que muitos aparelhos parrudos com Android superam a capacidade de processamento do iPhone 4. Mas nem todos eles são tão responsivos e fluidos: falta otimização em alguns casos. Acredito até que, também por isso, vemos cada vez mais aparelhos com Android com especificações muito semelhantes: usam os mesmos chips de processador, GPU, memória e outros mais.

Experiência básica

Com os apps pré-instalados, a experiência é fantástica, apesar de limitada. Configurar e utilizar o Calendário, Mail, iPod, Mapas, Contatos, Safari e outros é muito fácil e divertido. A interface sensível ao toque é fantástica e prática. O tamanho da tela, de certa forma, facilita algumas aplicações: não existe espaço para muitas funcionalidades, firulas, botões e menus. Tudo tem de ser direto e acessível: assim o usuário tem menos dúvidas.

Um ponto positivo do Android é a sua integração com os serviços do Google. É possível obter uma experiência similar no iPhone, mas não tão bem polida. Mesmo assim, bastante satisfatória. Quase todos os meus serviços básicos são sincronizados com o Google e não tenho problemas: e-mails e contatos no GMail e compromissos no Google Agenda. As fotos e serviço de mensagens instantâneas (que, no Google, seriam Picasa e GTalk) não possuem uma boa experiência, no entanto.

A antena

Muita gente nunca usou um iPhone 4, mas reclama: “não tem sinal”! Isso se dá a polêmica de que o iPhone perde totalmente o sinal da operadora de telefonia dependendo da forma como é segurado. É uma falha de design existente, mas não é nem 10% do que foi dito na época. Na verdade, a recepção do sinal do iPhone 4 é superior à maioria dos telefones que já usei. Minha esposa que o diga: usamos os serviços da mesma operadora, mas muitas vezes o telefone dela está sem sinal algum ou oscilante, enquanto o meu está funcionando normalmente.

Não vou tapar o sol com a peneira, no entanto. O problema existe. Mas só é perceptível se você segurar o telefone da “maneira proibida” e o sinal da sua operadora no local que você estiver for bem fraco. Nesse caso, dá até para assistir as barrinhas do sinal sumindo. Na maioria absoluta do tempo, no entanto, o usuário nem lembra que essa falha existe. Usar uma capinha também anula completamente o problema, que é causado pelo toque da pele humana num ponto específico do aparelho.

Esse relato vai continuar, mas será dividido em vários posts sob a mesma tag. Resumindo, então, os pontos positivos e negativos:

Positivo

  • Design bonito e bem acabado
  • Ótima performance e estabilidade
  • Loja de aplicativos recheada de apps interessantes
  • Sistema operacional fácil e intuitivo
  • Aplicativos pré-instalados bem-feitos
  • Sólido, elegante e resistente

Negativo

  • Ecossistema muito fechado
  • Dificuldade em transferência de arquivos do PC para o smartphone
  • Impossibilidade de transferência de arquivos via Bluetooth
  • Traseira de vidro muito bonita, mas transpira fragilidade
  • Integração nativa com redes sociais fraca
  • Preço, principalmente no Brasil

Veredicto: não é o smartphone perfeito. Tal aparelho não existe. No entanto, é a minha escolha, e recomendo para muita gente. É um aparelho que define tendências e consegue, mesmo um ano após ser lançado, estar no topo dos smartphones brigando ferozmente com os aparelhos recém-lançados de outras empresas.

Mas boa parte da experiência de um smartphone se dá com os apps de terceiros: redes sociais, jogos, utilitários, existe uma imensidão de aplicativos gratuitos ou pagos nas lojas de aplicativos para cada plataforma. Isso eu deixarei para outro momento.

Por falta de fotos de minha própria autoria, seguem fotos do Blog do iPhone e de  materiais de publicidade.

6 pensamentos em “iPhone 4: o review atrasado”

    1. É justamente disso que eu gosto! Levo muito mais em considerações reviews dos amigos da Steam ou dos colegas @xboxplus e @giancarlozero do que desses grandes portais de games.

      1. Idem. Aliás, bem prática a opção do Steam de permitir resenha (pena que com poucos caracteres).
        Mas também curto as opiniões do pessoal do Kotaku.

        Mas então… eu estou aqui com meu Androidzinho, mas sou um usuário tão ordinário que não acho que consigo fazer uma resenha decente de tudo que o aparelho tem de bom e ruim.

  1. Poxa, Erick, pouco tempo (uns dois meses) após comprar meu iPhone 4, me deparo com seu review. E concordo com tudo. Ainda estou naquela fase de “fascinação” com o aparelho. Mas levo ele pra onde vou, não tive um problema sequer, e já enchi o danado de apps…rsrsrs :)

    Bacana seu review. Confesso que já fiz besteiras com o aparelho, também. Numa recente troca de PC, acho que fiz uma sincronização com “0 data”, ou algo assim, e zerei tudo no aparelho. Tive de baixar todas as apps novamente, para então sincronizar. É como dizem: “casa de ferreiro, espeto de pau”.

    Mas o iPhone 4 é fantástico. Só deu uma dor no coração agora com lançamento do 4S, por diversos motivos. Mas, fazer o que. :)

    1. hehe Eu também já enchi o troço de tantos apps que começo a precisar gerenciar o espaço: o meu é o de 16 GB. Provavelmente você teve problemas com o novo PC porque não importou a biblioteca do iTunes e ele considerou como uma nova biblioteca, apagando tudo… realmente é muito chato isso de sincronizar com um só PC! Pelo menos agora com o iOS 5 teremos o iCloud pra ajudar :)

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