Distribuição digital vale a pena?

compact disc

Ter uma coleção de jogos, originais ou não, sempre foi significado de ter estantes ou caixas lotadas de caixas, manuais, cartuchos e discos. Eu nunca fui um colecionador que se preze, pois sempre troquei jogos com os amigos ou os vendia quando trocava de plataforma, mas sempre fico impressionado quando vejo coleções bem cuidadas por aí. Eis que com a nova geração de consoles, serviços como a Steam e smartphones temos um novo paradigma que veio pra ficar: a distribuição digital.

Mas o que?

Comprar jogos (ou outras mídias, mas o foco desse artigo são os jogos) por meio de download. Isso é distribuição digital: você paga uma quantia e recebe um arquivo para baixar na sua máquina e jogar. Normalmente você pode baixar novamente seus jogos uma quantidade infinita de vezes, caso perca o instalador ou simplesmente o apague.

Certo… mas pagar pra baixar? Eu baixo de graça!

Sem querer entrar nesse mérito, mas já entrando: baixar “de graça” é pirataria. Claro que existem os jogos gratuitos, mas esses também não são o foco do artigo. Jogar games piratas é, além de ilegal, um tiro no pé na maioria das vezes: você aproveita o jogo mas não contribui um centavo para pagar os salários daqueles que o desenvolveram. Antes que me digam: eu sei que os games, principalmente no Brasil, não são baratos. E claro, piratear um jogo não é a mesma coisa de comprar, além de ser um método de teste caso o jogo não tenha demo. A decisão, no final, é de cada um.

E o que tem de bom nisso?

Uma das maiores vantagens da distribuição digital é o preço. Normalmente é bem mais barato! Vejamos alguns exemplos:

Mass Effect 2

A comparação é cruel, não é? E olha que nem inseri aí os preços das versões para PS3 e Xbox 360 (R$199,90).

Além disso, existem as promoções, que não são tão comuns assim no varejo de “caixinhas”. Vemos diariamente promoção na Steam, GOG, LIVE, Nuuvem e outros serviços de distribuição digital de games, com descontos de 50, 60 até 90%! Minhas duas cópias de Mass Effect (o primeiro e segundo game, para PC) foram compradas em uma dessas promoções na Steam. Não gastei nem 15 dólares e já me diverti por diversas horas nos dois jogos.

Outro benefício é a disponibilidade. Tipicamente, os jogos são lançados nessas lojas ao mesmo tempo que no varejo tradicional: ou seja, nós brasileiros não precisamos esperar por um lançamento nacional! Além disso, os jogos normalmente podem ser instalados em todas as suas máquinas e você não precisa carregar o DVD de uma máquina pra outra pra poder jogar.

Mas nem tudo são flores

E, é claro, temos as desvantagens. Primeira de todas: alta dependência de uma boa conexão à internet. Normalmente, você precisa estar conectado à internet para poder iniciar um jogo. Existem lojas que não possuem essa limitação, ou possuem apenas parcialmente, enquanto outras exigem que você permaneça conectado mesmo depois de começar a jogar. Também é necessário, obviamente, baixar o jogo antes de começar a jogar.

Outra forte desvantagem é que não é possível trocar ou emprestar jogos nesse modelo. Possível até é, mas fere os termos do contrato e é um pouco difícil – a depender de quantos games você possui no serviço e pra quem você vai “emprestar” a sua conta. Um detalhe amedrontador que merece nota é: se um serviço desse falir, você pode perder sua coleção de games.

Outra desvantagem digna de nota é que alguns desses serviços não funcionam plenamente no Brasil. Ou exigem que você finja ser americano, ou pelo menos que utilize um cartão de crédito internacional. Para remediar esse problema, porém, existem algumas empresas que estão investindo no mercado nacional, como a EA (com sua loja Origin) e a Nuuvem, por exemplo.

Opinião pessoal

Eu sou fã da Steam! A maioria dos meus jogos foram comprados lá, e não tenho muito do que reclamar. Não é perfeita, mas posso aturar seus defeitos visto que as qualidades os superam, e muito, na minha opinião.

Também já tive boas experiências com a Direct2Drive e GamersGate, além da loja da TellTale Games e pacotes como o Humble Bundle e Indie Royale. Nunca usei os serviços da Xbox LIVE ou PSN, mas também parecem ser bons. Já com a Games for Windows LIVE não tive uma boa experiência há um tempo atrás e nunca mais tentei novamente.

Para quem joga no smartphone, as lojas da Apple, Google e Microsoft (App Store, Android Market e Windows Marketplace) também são boas e amigáveis, apesar de normalmente exigir um cartão de crédito internacional.

13 pensamentos em “Distribuição digital vale a pena?”

  1. Excelente artigo, Erick. Eu sou grande fã da distribuição digital, principalmente pela “ausência de frete” e pela “rapidez na entrega”. Podemos jogar um lançamento já no primeiro dia.

    Estes problemas que você mencionou preocupam, mesmo, mas acho que as empresas começarão a investir cada vez mais em meios de deixar o cliente tranquilo, pois, como dizem, “a distribuição digital é o futuro”.

    Aliás, devido justamente à distribuição digital e suas vantagens, ando jogando ultimante mais no PC que no Xbox 360…rs

    Grande abraço!

    1. Com certeza! A distribuição digital de jogos, como um negócio sério mesmo, começou há pouco tempo. Ainda tem muito pela frente pra melhorar e tornar o serviço ainda mais facilitado. Principalmente quando as conexões de meia tigela por aí forem melhorando, o que eu espero que aconteça logo hehe

  2. FIRST! Sacanagem! iuaehaeiuhaeiuha

    Alguns pontos: Quando você compra um jogo digital você adquire uma propriedade que, geralmente, é simbolizada numa cd-key. Tu não compra o jogo que você baixa, aquilo ali é só a consequência de ter comprado o jogo. Você pode comprar o jogo e nunca nem instalar (meu caso com Alpha Protocol haha). Só tô falando essa chatice porque algum louco desavisado que caia aqui de para-quedas pode ver e pensar “MAS EU VOU TER QUE PAGAR 40 REAIS PRA BAIXAR O JOGO E INSTALAR? MAS E SE MEU PC EXPLODIR? AH, OK, POSSO BAIXAR DE NOVO, MAS QUANTAS VEZES?” HEHE.

    Uma conta que a gente nunca para pra fazer é a de R$/hora de um jogo. Vamos pegar o Mass Effect 2, tem DE BOA 40 horas de jogo, certo? Vamos dizer que seja o preço absurdo: R$200. São R$5 por hora de jogo. Cara, nem fumando crack maluco se diverte por tão pouco iauheiauhaeiuhea Se for por R$35 dá 87 centavos por hora. E isso fazendo um cálculo grosseiro, né? Porque o ME2 tem fator replay gigante e talz. Maluco pirateia porque não dá valor pro trabalho dos outros, cara, só por causa disso.

    1. Sim, tem razão. E eu também não joguei Alpha Protocol ainda! E mais uma carrada de jogos da minha conta na Steam hehehe

      O custo/hora é algo que eu considero bastante e é um argumento que sempre uso quando um amigo vem reclamar de que os jogos são muito caros, até os da Steam, Nuuvem e etc. Não param pra pensar que em uma ida ao cinema, muitas vezes eles gastam bem mais que um Mass Effect 2!

      Não que eu pregue pra não irmos mais ao cinema, bares e etc. Só acho que temos de comparar e ter um pouco de consciência. Eu gosto de tomar minha cervejinha com a galera, mas posso sacrificar um dia disso pra comprar um jogo fácil. E ainda jogar com a mesma galera que estaria no bar! hehe

      Sobre os preços na casa de R$ 200,00, às vezes compensa, mas dá uma dor de pagar tanto quando se compara com o preço praticado nos EUA, por exemplo. Por isso eu vivo falando mal da Sony hehe

  3. Antigamente eu era bastante desconfiado com o conceito de distribuição digital. Sempre preferia – como até hoje ainda prefiro – comprar os meus jogos em uma loja física e tê-lo em minha estante, sem os riscos de uma eventual queda de serviço, falência de empresa ou qualquer outro citado nesse excelente texto. Mas desde que me tornei um feliz usuário do Steam, percebo que esse(a) modelo/tecnologia de venda está ficando cada vez mais amadurecido e confiável. Sem contar que as vantagens inerentes à compra por download (especialmente o preço) fizeram sua parte para me conquistar!

    Mas eu discordo dessa afirmação que fazem por aí sobre a distribuição digital de games ser o futuro por 2 motivos:

    1 – A distribuição digital de fato não é o futuro, É O PRESENTE! Ele já se tornou parte da vida de boa parte dos gamers como nunca se viu antes e, na minha opinião, a tendência é essa relação se estreitar ainda mais;

    2 – Acho que a distribuição digital jamais deveria substituir completamente a mídia física e sim complementá-la. Afinal, por mais avançada que seja a conexão com a internet atualmente, não é todo mundo que pode usufruir de uma banda larga decente, o que torna a mídia física extremamente importante para essa parcela de consumidores.

    1. É verdade. Concordo fortemente com o segundo ponto, mas estou vendo algumas empresas ignorando isso e partindo pra um modelo “sempre online”, o que me irrita bastante.

  4. Poxa, foi mal, Rafa…rsrs

    Olha, esse lance de R$/hora de um jogo é um argumento fantástico. E se pensarmos nas ofertas fantásticas que o Steam vive promovendo, então, o divertimento fica quase de graça.

    Quanto à distribuição digital “acabar acabando” com a mídia física, acho que é algo inevitável. Vai chegar um ponto em que os próprios consoles das próprias gerações vão usar somente o modelo.

    E, também, é claro que eles levam em consideração o padrão de qualidade da internet lá fora, e desconsideram o fato de que aqui no Brasil muita gente ainda sofre com conexões ridículas, infelizmente.

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